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Global Her

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Care

Care as the axis of development.

Cuidado: uma lente para compreender o desenvolvimento

O cuidado atravessa todas as etapas da vida e está presente nas relações familiares e comunitárias, nos serviços públicos, no mercado de trabalho e nas instituições. Ele reúne atividades, relações, recursos e infraestruturas indispensáveis à manutenção da vida, ao bem-estar e à autonomia das pessoas.

Olhar para o desenvolvimento a partir do cuidado permite tornar visíveis relações que muitas vezes permanecem separadas: tempo e trabalho, igualdade de gênero e autonomia econômica, proteção social e território, economia e sustentabilidade da vida. Para a Global HER, compreender essas conexões é o primeiro passo para transformar a maneira como sociedades, governos e instituições organizam suas prioridades.

01

What is care?

O trabalho cotidiano que torna a vida possível

Cuidado é o conjunto de atividades e relações necessárias para garantir a vida, o bem-estar e a autonomia das pessoas. Inclui tanto o cuidado direto — como alimentar, acompanhar, educar ou apoiar alguém — quanto as atividades que criam as condições para cuidar, como preparar alimentos, limpar, organizar o domicílio e administrar as necessidades cotidianas.

Todos precisamos de cuidado, ainda que de formas e intensidades diferentes ao longo da vida. Por isso, o cuidado não pode ser compreendido apenas como uma questão privada ou familiar: ele possui função social e produz valor para toda a sociedade, sustentando pessoas, instituições e economias.

02

Care as a right

Cuidar, ser cuidado e exercer o autocuidado

Reconhecer o cuidado como direito significa afirmar que todas as pessoas devem poder receber cuidados adequados, cuidar em condições dignas e exercer o autocuidado, sem que isso resulte em perda de direitos, autonomia ou oportunidades.

Essa perspectiva também transforma o papel do poder público. Se o cuidado é um direito, sua garantia não pode depender exclusivamente dos recursos, do tempo ou das possibilidades de cada família. Ela exige responsabilidades definidas, políticas, serviços e condições institucionais capazes de garantir acesso com igualdade e qualidade, protegendo simultaneamente quem recebe e quem provê cuidados.

03

Care economy

O cuidado também sustenta a economia

A economia do cuidado compreende as atividades, relações e setores envolvidos na provisão de cuidados, tanto remunerados quanto não remunerados. Saúde, educação, assistência, trabalho doméstico e diferentes serviços de cuidado fazem parte de uma estrutura econômica fundamental para o funcionamento das sociedades.

Investir em cuidado, portanto, não deve ser compreendido apenas como gasto social. A expansão de serviços e infraestruturas pode gerar trabalho decente, ampliar a participação econômica das mulheres, reduzir desigualdades e dinamizar outros setores da economia. Cuidar produz valor econômico e social — mesmo quando esse valor permanece invisível nas formas tradicionais de medir a economia.

04

Paid and unpaid work

Nem todo trabalho que produz valor recebe remuneração

O cuidado pode ser realizado de forma remunerada — por profissionais da saúde, educação, assistência, trabalho doméstico e outras ocupações — ou de forma não remunerada, principalmente nos domicílios e nas famílias.

Essas duas dimensões estão profundamente conectadas e marcadas por desigualdades de gênero. As mulheres estão sobrerrepresentadas tanto no trabalho não remunerado quanto nas ocupações remuneradas de cuidado, muitas vezes social e economicamente desvalorizadas. Tornar esse trabalho visível significa reconhecer que não existe economia produtiva sem o trabalho cotidiano que sustenta e reproduz a vida.

05

Time poverty

O tempo também é uma dimensão da desigualdade

Quando as responsabilidades de trabalho remunerado, cuidado e atividades domésticas ocupam uma parcela excessiva do cotidiano, sobra menos tempo para descanso, educação, participação social e política, geração de renda, autocuidado e outras dimensões fundamentais da vida.

É nesse contexto que falamos em pobreza de tempo. Sua distribuição não é aleatória: acompanha desigualdades de gênero, renda, raça e território e ajuda a revelar custos do cuidado que indicadores exclusivamente monetários não conseguem captar. Medir como as pessoas utilizam seu tempo é, portanto, fundamental para compreender desigualdades e formular políticas públicas mais adequadas.

06

Co-responsibility

Cuidar é uma responsabilidade compartilhada

Transformar a organização social do cuidado exige redistribuir responsabilidades. Isso significa superar um modelo no qual grande parte do cuidado é assumida pelas famílias e, dentro delas, predominantemente pelas mulheres.

A corresponsabilidade possui duas dimensões inseparáveis: uma distribuição mais equilibrada entre mulheres e homense uma responsabilidade compartilhada entre Estado, famílias, comunidades e demais atores sociais. Não se trata de retirar o cuidado das relações familiares, mas de construir condições para que cuidar deixe de significar sobrecarga, perda de autonomia ou desigualdade.

07

Care policies and systems

Do reconhecimento à capacidade de garantir direitos

Políticas de cuidado são o conjunto de ações destinadas a reorganizar socialmente o cuidado, garantir direitos e promover corresponsabilidade. Elas podem envolver serviços, infraestrutura, tempo para cuidar, proteção social, regulação, formação profissional, sistemas de informação, financiamento e mecanismos de governança.

Um sistema de cuidados dá um passo além: articula essas diferentes políticas de maneira coerente e integrada, considerando simultaneamente as necessidades de quem recebe e os direitos de quem presta cuidados. Sistemas robustos não são apenas redes de serviços; são arquiteturas institucionais capazes de transformar o cuidado em responsabilidade pública organizada, financiada, coordenada e monitorada.

08

Territorialization of care

É no território que o direito ao cuidado se torna concreto

As necessidades de cuidado não se distribuem igualmente. Elas variam conforme características demográficas, socioeconômicas, culturais e territoriais — assim como variam a presença de serviços, infraestrutura, transporte, redes comunitárias e capacidades institucionais.

Territorializar o cuidado significa reconhecer essas diferenças e organizar respostas a partir delas. Significa compreender onde estão as necessidades, quem cuida, quais recursos existem, quais distâncias precisam ser percorridas e quais barreiras impedem o acesso. Dados territorializados, serviços de proximidade, mobilidade, acessibilidade e infraestrutura tornam-se, assim, componentes da política de cuidados.

O território não é apenas onde a política chega. É onde ela precisa começar.

09

Care society

Um novo horizonte para o desenvolvimento

A Sociedade do Cuidado propõe uma transformação mais profunda: colocar a sustentabilidade da vida e do planeta no centro das decisões econômicas, sociais e políticas.

Esse horizonte parte do reconhecimento de que somos interdependentes, que todas as pessoas necessitam de cuidados ao longo da vida e que sua provisão não pode continuar reproduzindo desigualdades. Pressupõe garantir o direito ao cuidado, promover corresponsabilidade, reconhecer e redistribuir o trabalho de cuidado e construir políticas, serviços, instituições e formas de financiamento capazes de tornar esses princípios concretos.

Uma Sociedade do Cuidado não é apenas uma sociedade que cuida mais. É uma sociedade que organiza o desenvolvimento de outra maneira.